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Mercado imobiliário de Minas encerra 2025 com mais de 21,5 mil apartamentos novos vendidos e VGV de R$ 14,5 bilhões

O mercado imobiliário em Minas Gerais comercializou 21.516 apartamentos novos em 2025 e lançou 22.606 unidades, distribuídas em 296 empreendimentos. O Valor Global de Vendas (VGV) alcançou R$ 14,513 bilhões, enquanto o Valor Global de Lançamentos (VGL) somou R$ 14,080 bilhões. Os dados são do Censo do Mercado Imobiliário, realizado pela Brain Consultoria para o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), abrangendo Belo Horizonte, Nova Lima, municípios da Região Metropolitana e cidades do interior do estado, e apresentado pelo Sinduscon-MG em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (25).

Em Minas Gerais, os lançamentos superaram as vendas em 5,07% no período. No recorte de Belo Horizonte e Nova Lima, foram vendidas 7.545 unidades e lançadas 7.121, com VGV de R$ 7,875 bilhões e VGL de R$ 7,376 bilhões. Pelo segundo ano consecutivo, as vendas superaram os lançamentos nessas duas cidades, resultando na redução do estoque disponível para comercialização, que encerrou dezembro em 4.484 unidades.


“Quero ressaltar a força e resiliência do mercado da construção civil. Tivemos em 2025 uma taxa de juros extremamente elevada, mas o mercado tem respondido com números importantes, como o recorde de lançamentos imobiliários no Brasil, com quase 450 mil unidades em 2025. Porém, Minas está muito acanhada nos números, principalmente Belo Horizonte, que responde, no máximo, por 5% desse total. Um número muito pequeno para a capital de um estado de grande importância. Minas precisa reagir e essa reação parte da vontade pública de melhorar a legislação, tornando possível a atuação do mercado imobiliário na solução desses problemas”, enfatizou o presidente do Sinduscon-MG, Raphael Lafetá.

Desempenho em Belo Horizonte e RMBH

As 7.545 unidades comercializadas em 2025 representam queda de 5,92% frente a 2024, ano recorde da série histórica iniciada em 2016. Apesar do recuo, o resultado configura o segundo melhor desempenho do período.  Além disso, a  redução das vendas também está associada ao menor volume de lançamentos. O estoque disponível nas duas cidades caiu pelo segundo ano consecutivo. Considerando uma ausência de lançamentos e a média mensal de vendas de 2025, o número de unidades disponível para comercialização seria suficiente para atender à demanda somente por sete meses, o que evidencia a limitação da oferta e representa uma preocupação não somente para o setor, mas também para a cidade.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (excluídas BH e Nova Lima), foram vendidas 2.888 unidades, com queda de 28,8% em relação a 2024. Contagem destacou-se pelo aumento de lançamentos no período. No conjunto das cidades do interior pesquisadas, foram comercializadas 11.083 unidades, o que corresponde a 51,5% das vendas totais do estado.

Perfil dos imóveis e impacto da legislação

Do total de 7.545 unidades vendidas em Belo Horizonte e Nova Lima em 2025 observa-se que  o maior destaque aconteceu no padrão standard (com valores de R$350 mil até R$700 mil), que respondeu por 30,6% (2.310 unidades) do total comercializado. Também se destacaram os apartamentos de padrão compacto, que foram responsáveis por 27,4%  (2.071 unidades) das vendas.

As vendas dos padrões econômico (até R$350 mil) e de padrão standard (de R$350 mil até R$700 mil) caíram e isso aconteceu em função da redução dos lançamentos. Em 2025, apenas 426 apartamentos de padrão econômico foram vendidos na capital mineira, o que representou 5,6% do total. “Esse número é extremamente baixo e demonstra o quanto a legislação urbana da cidade é restritiva. A título de comparação, os indicadores imobiliários, divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC),  demonstram que, no País, 49% das vendas são de unidades de padrão econômico.  Os números evidenciam que Belo Horizonte está impedindo o acesso à moradia justamente à população que mais precisa dela, que é a de baixa renda”,  explicou a economista chefe do Sinduscon-MG, Ieda Vasconcelos.

Também é necessário ressaltar que, com a legislação mais restritiva, a disponibilidade de imóveis para comercialização é pequena e o preço aumenta. Belo Horizonte encerrou dezembro com 4.484 unidades  em estoque, incluindo todos os padrões. Esse número é bem próximo ao observado em Uberlândia (4.434) e inferior a cidades como Goiânia (11.771), Curitiba (11.037), Porto Alegre (7.300), Rio de Janeiro (14.404),  Recife (6.709) e Salvador    (6.080).  Do total do estoque de imóveis novos disponíveis para venda, em Belo Horizonte, somente 2,8% são do padrão econômico.

Belo Horizonte hoje está se tornando uma cidade inacessível para moradia e isso tem reflexo na ocupação dos espaços urbanos, na movimentação econômica, como também na oferta de emprego para atrair novos negócios para a cidade. Se nada for feito agora, a reversão disso vai se tornar difícil a longo prazo, o que é desastroso para a cidade”, destacou Raphael Lafetá.

O levantamento também destacou que o índice de preço médio dos imóveis novos em Belo Horizonte e Nova Lima apresentou variação superior ao CUB/m² e ao IPCA/IBGE. O baixo volume de unidades disponíveis, aliado ao peso do custo do terreno, não contemplado no CUB, contribui para a elevação dos preços.

Emprego na Construção Civil

No Brasil, a Construção Civil encerrou o ano passado com 2,945 milhões de trabalhadores com carteira assinada, crescimento de 3,08% em relação a 2024. O setor gerou 87.878 novos empregos em 2025, embora em ritmo inferior ao registrado no ano antecedente.

Em Minas Gerais, o número de trabalhadores formais na Construção somou 335 mil em dezembro, com recuo de 1,82% na comparação anual. O saldo de vagas no estado foi negativo em 6.198 postos, influenciado principalmente pelo segmento de Obras de Infraestrutura. Já em Belo Horizonte, o saldo foi positivo em 4.102 vagas, alta de 65,60% frente a 2024.

Perspectivas para 2026

Para 2026, o setor está otimista.  Entre os fatores que podem impulsionar o mercado estão o início do ciclo de queda da taxa de juros, o orçamento recorde do FGTS para habitação, novas contratações do Minha Casa, Minha Vida, investimentos em infraestrutura e a implementação de um novo modelo de crédito habitacional. Entre os desafios permanecem a taxa de juros ainda elevada, a escassez de mão de obra, o menor ritmo de crescimento da economia e o cenário fiscal. Mas é necessário destacar que se o cenário de imóveis de padrão econômico na cidade permanecer sem alteração, o limite de desenvolvimento do mercado será cada vez mais restrito.

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Sobre o Sinduscon-MG – Fundado em 1936, o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais representa um dos mais importantes setores produtivos da economia brasileira. Conta com 13 mil empresas da cadeia produtiva do setor em 545 municípios do estado. Saiba mais em: sinduscon-mg.org.br.

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