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Só construção gera mais vagas

Setor foi o único em Belo Horizonte com saldo positivo entre contratações e demissões em janeiro. No país, houve perda de 101.748 postos de trabalho com carteira assinada Paula Takahashi Quase 102 mil postos de trabalho com carteira assinada foram fechados em janeiro, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado, de exatos 101.748 empregos a menos no mercado, foi o pior para o mês desde 1999, quando houve fechamento de 41.211 vagas, e puxado pelas demissões na indústria de transformação (55.130) e no comércio (50.781), com o fim dos contratos temporários para as vendas de Natal. Por outro lado, quatro setores da economia contrataram mais do que demitiram no período, diferentemente de dezembro, quando todos os segmentos analisados apresentaram saldo negativo na geração de postos de trabalho. O bom desempenho ficou por conta da construção civil (11.324 novos empregos), serviços (2.452), administração pública (2.234) e serviços industriais de utilidade pública (713). Em Belo Horizonte, somente a construção teve saldo positivo. Apesar da queda de 0,32% no nível de emprego, em relação ao total de trabalhadores com carteira assinada de dezembro, os números já começam a esboçar uma reação da economia, na avaliação do ministro do Trabalho, Carlos Lupi. “Estou falando há quatro meses que reagiremos em março, quando mudaremos a curva e voltaremos a ter saldo positivo de empregos”, afirmou. O total de admissões no último mês foi de mais de 1,2 milhão, segundo maior da série histórica do Caged para o período, atrás somente do número de admissões de janeiro de 2008, quando mais de 1,3 milhão de pessoas foram empregadas. A ampliação das contratações já é vista pelo ministro como um sinal de superação da crise. Minas Gerais ocupou a segunda colocação entre os estados que mais demitiram em janeiro, com o corte de 26,8 mil vagas, atrás apenas de São Paulo (- 38.676). Em Belo Horizonte, o número de demissões foi de quase 2 mil trabalhadores, com retração de emprego em praticamente todos os setores, com exceção da construção civil, que abriu 1.464 vagas. “Esse comportamento do mercado de trabalho na construção civil está muito associado às obras públicas em andamento, tanto em BH, com a construção do Centro Administrativo do Governo do Estado, como das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Além disso, há os lançamentos das construtoras que estão entrando em andamento agora”, afirma André de Sousa Lima Campos, diretor de programas habitacionais do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). Foi no momento de recuperação do setor que o ajudante de betoneira Sérgio Luiz de Caldas aproveitou para retornar ao mercado de trabalho. “Estava desempregado havia dois meses e achando difícil encontrar um emprego, mas em janeiro as coisas melhoraram. Ainda fiquei sabendo de vários amigos que conseguiram uma vaga na mesma época”, afirma. EMBRAER DEMITE 4 MIL A fabricante brasileira de aeronaves Embraer informou que, em consequência da crise financeira internacional, vai demitir mais de 4 mil funcionários e revisou para baixo as previsões de produção e investimentos para 2009. As demissões vão atingir cerca de 20% do efetivo de 21.362 empregados da empresa e se concentram na mão-de-obra operacional, administrativa e lideranças, incluindo a eliminação de um nível hierárquico de sua estrutura gerencial. Já a General Motors (GM) garantiu que o Brasil não foi incluído no plano de cortes de empregos anunciado pela matriz da montadora, de 47 mil empregados em todo o mundo. Segundo o presidente da GM para o Brasil e o Mercosul, Jaime Ardilla, as decisões no Brasil serão adotadas de acordo com o comportamento do mercado doméstico. Crédito garante recorde do BB O lucro do Banco do Brasil (BB) em 2008 registrou crescimento de 74% em relação ao de 2007 e ficou em R$ 8,8 bilhões, recorde para o setor. No quarto trimestre do ano passado, os ganhos aumentaram 142% sobre o mesmo período de 2007, chegando a R$ 2,9 bilhões. A carteira de crédito, incluindo carteira externa, interna e prestação de garantias, atingiu R$ 237,2 bilhões ao fim do quarto trimestre de 2008, equivalente a uma expansão de 11% em relação ao terceiro trimestre de 2008 e de 41,9% em relação ao fim de 2007. Segundo o BB, é o maior crescimento registrado desde 2000 e a variação da carteira de crédito foi superior à média do sistema financeiro, de 6,5%. MERCANTIL O Mercantil do Brasil fechou 2008 com lucro líquido de R$ 43 milhões, crescimento de 17% em relação ao ano anterior. O balanço contábil da instituição, que será publicado hoje, registra crescimento de 11% nos depósitos a prazo, que saíram de R$ 2,4 bilhões para R$ 2,7 bilhões. Vale fecha ano com ganhos 6,36% maiores Marta Vieira A despeito da crise mundial, a Vale anunciou ontem lucro líquido de R$ 21,27 bilhões em 2008, com avanço de 6,36% sobre 2007, no sexto ano seguido de ganhos maiores sobre o ano anterior. Já o resultado do quarto trimestre foi de R$ 10,44 bilhões, apresentando avanço de 136,8% sobre o mesmo período do ano anterior. O ganho recuou, no entanto, 15,96% sobre o terceiro trimestre, como resultado dos primeiros efeitos da turbulência financeira. Como as demais grandes produtoras de commodities, a Vale sentiu a queda nos preços de seus produtos devido à crise financeira global. A forte redução no consumo de produtos siderúrgicos, imposta pela crise, foi impiedosa para os resultados do quarto trimestre do Grupo Gerdau, maior produtor de aços longos das Américas, e da Usiminas, líder na produção de aços para a indústria automotiva. O lucro líquido consolidado da Gerdau despencou 67,1%, ao somar R$ 311 milhões de outubro a dezembro, frente aos R$ 951,1 milhões no mesmo período de 2007. Com perdas menores, o sistema Usiminas, que concentrou 83% de suas vendas no mercado brasileiro ano passado, viu seu lucro líquido cair a R$ 837 milhões, 14% menos na comparação com os R$ 970 milhões do quarto trimestre de 2007. As duas siderúrgicas anunciaram a revisão de planos de investimentos para se adequar ao cenário restritivo e de incertezas este ano, apesar dos sinais de recuperação observados em janeiro e este mês, segundo André Gerdau Johannpeter, diretor presidente da Gerdau. Além da queda das vendas, as perdas refletiram os efeitos da desvalorização do real frente ao dólar, que encareceu as dívidas contratadas pela empresa em moeda estrangeira. A Usiminas vendeu 1,46 milhão de toneladas no quarto trimestre, representando queda de 24% frente ao trimestre anterior e 26% em relação a igual período de 2007. Nas duas bases de comparação, a siderúrgica aumentou a participação no mercado interno. Apesar do recuo, a receita líquida da companhia cresceu 7% de outubro a dezembro do ano passado em relação a 2007, alcançando R$ 3,7 bilhões, graças à combinação entre preços mais altos e efeitos positivos da variação cambial sobre os produtos exportados. Em comunicado distribuído à imprensa, o presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, afirmou que um programa iniciado em setembro será fortalecido durante 2009 para reduzir R$ 1,2 bilhão em custos. No fim do ano passado, a Vale tomou uma série de medidas de contenção de gastos, que incluiu demissões de 1,3 mil funcionários, fechamento de plantas de produção de minérios e suspensão de investimentos. Em outubro, a mineradora reduziu a produção de minério de ferro e outros minérios e subprodutos em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Amapá, além de plantas industriais e minas no exterior. Fora do país, sofreram reduções de produção atividades localizadas na França, Noruega, China e Indonésia. (Com agências)